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Porque o Megaupload tinha que ser tirado do ar

Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro para os desavisados que o aconteceu com o Megaupload não tem nada a ver com o SOPA, PIPA ou afins. Inclusive, esses movimentos já foram arquivados, saiba mais aqui. Eu até entendo que com esse assunto em alta seja normal atrelar uma ideia a outra, mas não, não foi esse o motivo do Megaupload ter saído do ar. Muito pelo contrário, foi um motivo que, pelo menos pra mim, é mais do que certo tirar o site do ar e prender os envolvidos.

 

O que muda sem o Megaupload?

Você acha mesmo que só porque ele acabou é o fim da pirataria? Vamos lá, pense um pouco. Anos atrás aconteceu algo idêntico quando o Napster foi encerrado e nem por isso a pirataria do mp3 acabou.

É um pouco óbvio que não vai mudar nada, não a longo prazo, é claro. Principalmente para quem sempre foi adepto ao P2P, afinal, esse método evita links quebrados e todos esses tipos de problemas, recomendo que vocês comecem a fazer o uso disso também e evitem ao máximo sites como o Megaupload.

Além de ter tirado o site do ar e criado bilhares de links quebrados – não que já não existisse um bocado de link quebrado no Megaupload – o FBI não vai mudar a forma com que muitos de nós baixamos filmes, músicas e afins. Afinal, quantos sites iguais ao Megaupload existem? Eu posso numerar vários, 4shared, hotfile, fileserve, depositfiles, filefactory, egoshare, uploaded, netload e outros. Obviamente que nenhum desses é tão rápido como o Megaupload, mas enfim.

Ah, mas prender os caras foi um exagero.

Bom, não foi não. Sério, não foi. “mimimimi claro que foi, não é culpa deles o que os usuários colocam no site”. Ok, vou explicar por partes.

Primeiro, é responsabilidade deles sim qualquer tipo de conteúdo que esteja armazenado nos servidores de lá. Ontem, enquanto eu discutia o assunto no Twitter, o Becher, dono da Via Hospedagem, falou algo que mostra o outro lado da moeda. Ele afirmava que era impossível controlar tanta submissão de arquivo e que por isso eles não poderiam se responsabilizar pelo conteúdo enviado para o site.

Isso é válido até certo ponto, pense comigo, a partir do momento que você abre uma porta pra alguém entrar com o que quiser na sua casa, drogas ilegais por exemplo, a responsabilidade se torna sua, porque você permitiu aquilo – mesmo que você não soubesse. A realidade com a internet não foge a regra. Vamos ver outro exemplo, o Youtube nesse caso, ele controla todos os vídeos certo? Já que eles conseguem, porque o Megaupload não conseguiria?

Um site consegue ter controle de tudo que hospeda. Não tem como negar. A diferença é que os donos poderiam estar gastando dinheiro em funcionários para monitorar o site ao invés de gastar com bobagens fúteis, mas calma que ainda vou chegar nessa parte. Antes disso vamos a alguns exemplos para chegar na conclusão final de porque a prisão deles foi correta.

Muita gente está vindo com o segundo argumento: “Vai tentar fiscalizar isso, é impossível. É muita gente subindo arquivos.” Não justifica. Imagine o seguinte cenário, você tem um site tipo o 9gag, dai um grupo com muitos membros, tipo o Anonymous, se une pra postar 1 bilhão de imagens de pedofilia no seu site simplesmente pra trollar. Não vai ser culpa sua? Você que permitiu que eles postassem lá e não bloqueou nada. Dai chega alguém e fala “Basta remover”, o problema é que é muita imagem pra remover, eai? A atitude correta seria colocar o site fora do ar até todos serem banidos e as imagens removidas, depois disso você teria que mudar a forma com que as pessoas fazem cadastro e moderar cada imagem antes de ser publicada – algo que o Megaupload deveria ter investido.

Ainda no Twitter, levantaram a seguinte questão: e se o site fosse invadido? E então os invasores começassem a publicar conteúdo ilegal? Na teoria a culpa não é sua, exceto pela parte que você deu brecha para ser invadido e por isso acabou perdendo controle. Na minha opinião permitir que publiquem o que quiser, é outra história, algo muito mais grave. O problema é que para a lei isso é indiferente, mesmo se o seu site tiver sido invadido através de uma brecha de segurança. Mas você sabe por que a lei é assim? Simplesmente para que as pessoas nunca percam esse controle. Porque se não qualquer problema no site poderia ser justificado dizendo que foi hacker – algo que já vimos muitas pessoas fazendo. É justo, não acha?

Mas não é só isso, o Megaupload, querendo ou não, criou um prejuízo bilionário para centenas de empresas por causa dos filmes, músicas, jogos e etc. Bom, até ai você pode virar e falar que não tinha problema – é verdade, eu também acho que não tem problema. Mas nós pensamos assim porque porque não os milhões não estão saindo do nosso bolso, mesmo assim ainda acredito que a lei precise de melhorias, sem duvida. Já na minha opinião, fugindo de como a lei se comporta, o problema é que eles ficaram milionários, isso mesmo, eles ganhavam montanhas de dinheiro com o site na costa de outras empresas, produtoras e por aí vai, isso pra mim é um dos piores crimes que existe, infelizmente a lei não distingue isso.

Na minha opinião, usar o Megaupload Premium – e até mesmo a versão grátis, porque eles ganham dinheiro com anúncios – era como se você estivesse comprando DVD pirata de um camelô, algo que eu sou totalmente contra. Sou a favor de copiar DVDs, baixar música e fazer o que você bem entender com qualquer tipo de mídia, mas não acho digno quando você começa a ganhar dinheiro com algo que não é seu, que você não produziu. E esse foi o grande problema do Megaupload, por isso acredito que o site tenha sido tirado do ar corretamente.

Mas não para por aí, além de ganhar dinheiro na costa dos outros, o fundador do Megaupload, Kim Schmitz, conhecido também como Dotcom, era um milionário bem extravagante. Ele gastava milhões em besteira, como uma mansão que ele teve que alugar na Nova Zelândia porque não pode comprar uma casa devido a problemas judiciais. Sem mencionar que ele era o homem mais rico da Nova Zelândia e conhecido por ser colecionador de carrões – ele é dono de 15 Mercedes, um Rolls-Royce, uma Masseratti e uma Lamborghini.

Mesmo que muitos artistas apoiem o Megaupload, é algo ilegal – e você sabe disso. Ele poderia muito ser usado por artistas independentes enquanto nós baixamos arquivos via P2P, sem dar dinheiro pra ninguém, nem pras indústrias ou pra site algum. Acontece que o site já estava sob investigação faz 2 anos e por causa desses fatos, eu acredito que o Megaupload deveria ser, sim, responsabilizado pelo que hospeda e a decisão do FBI foi correta. Pois mesmo removendo alguns conteúdos, sempre tinham coisas ilegais por lá, vai dizer que você nunca baixou um filme ou série pelo Megaupload?

Por que usar P2P?

O P2P também é ilegal, assim como o Megaupload, mas você pelo menos não está dando dinheiro pra ninguém. Segundo a lei 9610, de 1998, que trata de direitos autorais, você pode acessar pequenos trechos de obras para uso pessoal, mas não tem direito ao acesso integral da obra e nem de usá-la para fins comerciais. Acontece que isso é um pouco vago, porque você pode pegar um filme sem os créditos ou sem o menu do DVD que não vai ser a obra completa, a lei não fala a porcentagem que você pode ter acesso de cada obra. Sendo assim, se você quer baixar filmes, músicas, CDs, jogos e etc, o P2P é o meio “menos ilegal” digamos assim, pois além de ser mais rápido, ele não dá dinheiro pra ninguém.

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A Juventude 2.0

Estamos na segunda década do século XXI, e muita coisa mudou desde o século passado. O mundo não é mais o mesmo. Evoluiu em uma parte e desandou em outras. A sociedade não é mais a mesma, afinal, muitos tabus foram quebrados. Sexualidade, drogas e outros assunto que antigamente eram tratados de forma muito fechada, hoje em dia se vê em qualquer lugar.

Faço parte dessa nova geração. Mas vejam, o problema é o seguinte: nem eu nem ninguém da minha geração foi criado desse jeito. Nós não tinhamos iPhones, PCs superpoderosos e quiça pensávamos que um dia tablets apareceriam. Mas então, como ficamos assim? Como nos adequamos tão rapidamente a quebra desses tabus, a essas novas tecnologias? Pior, como deixamos isso se tornar parte essencial da nossa vida? Ou vai me dizer que você – seja lá de que idade for – consegue se ver sem internet?

As respostas não são tão fáceis, porém são simples. Ficamos assim, pois fomos induzidos a isso. Fomos induzidos a nos adequar, pois involuntariamente (sim, eu de certa forma – mesmo que ingenua, talvez – acredito nisso) isso nos foi imposto. Qual o motivo de se enviar cartas quando o e-mail é muito mais rápido, prático e deveras seguro? Por que correr o risco de ficar sem graça na frente de alguém dizendo “Eu te amo!”,  quando mandar um SMS é mais prático e nos tira esse risco?

Se você for parar para analisar todas as respostas para essas perguntas, no geral vamos ter sempre uma resposta subliminar definitiva: preguiça.

O ser humano é um animal preguiçoso por natureza. Ficamos sabendo disso quando o controle remoto foi inventado. Levantar para mudar de canal é tão arcaico quanto enviar uma carta. Minha geração não era assim. As brincadeiras eram mais… Sujas, vamos dizer. Peões, bonecas, rolar na grama, etc. Até que os brinquedos eletrônicos começaram a nos dominar. Quem não lembra do tamagotchi? Aqueles bichinhos virtuais lindos que vieram com o slogan de nos “preparar para crescer com responsabilidade, aprendendo a cuidar das coisas”. Eu tinha um até meus 9 anos, quando ele morreu de vez. Quando fiz 15 comprei um Be-Bit da Candide, que seria um tamagotchi 2.0, para acalmar minha nostalgia. Tenho ele até hoje.

Nos dias atuais, a nova geração (ou as crianças, se preferir) é dividida naquelas crianças que tentam salvar a própria geração, indo na rua, brincando, rolando na grama, etc. E naquelas que se renderam aos encantos da tecnologia, e preferem ficar jogando video-game ou navegando na internet. Por conta dessa mesma tecnologia, os jovens acabaram se dividindo também, em algumas categorias.

O Produtivo

O jovem produtivo é aquele que visa o futuro, e só. Foca na sua futura carreira e nos estudos e utiliza da tecnologia para fazê-lo. É todo organizado,e não deixa ninguém mexer no seu notebook, smartphone, tablet ou qualquer outro gadget que lhe pertença.

 

 

O Full-Time Online

É aquele que põe na internet tudo o que faz (eu!). Quando ele acorda a primeira coisa que faz é tuitar. No meio do dia tira fotos com seu smartphone, pega um programa editor, aplica um efeito vintage e põe na rede (seja no TwiPic, no Flickr, ou qualquer outro). Ele não deixa nada que aconteça fora do conhecimento do resto do mundo.

O Sem Vida Social

É uma mistura dos dois acima citados. É aquele que não deixa nada que aconteça fora da web e que tem como foco a total produtividade. A única diferença é que ele não sai. E quando o faz, se sente deslocado. Num futuro, deve ganhar rios de dinheiros, mas não creio que compense o fato de perder a sua juventude.

 

Obvio, claro e evidente, que assim como na nova geração, a atual também tem aqueles que tentam salvá-la. Chamo eles de “Youth Savers”. São aquele que vivem, sabe?! Saem, vão a festas, curtem a vida, no máximo que podem, e ainda aproveitam a tecnologia que as outras três breves categorias acima citadas veneram. Eles são o que toda a juventude deveria ser. Divertida.

Claro que você pode dizer que não é bonito ou rico o suficiente pra fazer viagens todas as férias que aparecem, ou ir nas baladas e sair “pegando geral”, mas nem todo Youth Saver é assim. Você pode ser um, com os recursos que tem. Saia um pouco, brinque. Faça a vida valer a pena. A tecnologia está ai para ser usada? Sim. Mas tudo em exagero é demais. Por mais legal que pareça.

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