Estamos na segunda década do século XXI, e muita coisa mudou desde o século passado. O mundo não é mais o mesmo. Evoluiu em uma parte e desandou em outras. A sociedade não é mais a mesma, afinal, muitos tabus foram quebrados. Sexualidade, drogas e outros assunto que antigamente eram tratados de forma muito fechada, hoje em dia se vê em qualquer lugar.
Faço parte dessa nova geração. Mas vejam, o problema é o seguinte: nem eu nem ninguém da minha geração foi criado desse jeito. Nós não tinhamos iPhones, PCs superpoderosos e quiça pensávamos que um dia tablets apareceriam. Mas então, como ficamos assim? Como nos adequamos tão rapidamente a quebra desses tabus, a essas novas tecnologias? Pior, como deixamos isso se tornar parte essencial da nossa vida? Ou vai me dizer que você – seja lá de que idade for – consegue se ver sem internet?
As respostas não são tão fáceis, porém são simples. Ficamos assim, pois fomos induzidos a isso. Fomos induzidos a nos adequar, pois involuntariamente (sim, eu de certa forma – mesmo que ingenua, talvez – acredito nisso) isso nos foi imposto. Qual o motivo de se enviar cartas quando o e-mail é muito mais rápido, prático e deveras seguro? Por que correr o risco de ficar sem graça na frente de alguém dizendo “Eu te amo!”, quando mandar um SMS é mais prático e nos tira esse risco?
Se você for parar para analisar todas as respostas para essas perguntas, no geral vamos ter sempre uma resposta subliminar definitiva: preguiça.
O ser humano é um animal preguiçoso por natureza. Ficamos sabendo disso quando o controle remoto foi inventado. Levantar para mudar de canal é tão arcaico quanto enviar uma carta. Minha geração não era assim. As brincadeiras eram mais… Sujas, vamos dizer. Peões, bonecas, rolar na grama, etc. Até que os brinquedos eletrônicos começaram a nos dominar. Quem não lembra do tamagotchi? Aqueles bichinhos virtuais lindos que vieram com o slogan de nos “preparar para crescer com responsabilidade, aprendendo a cuidar das coisas”. Eu tinha um até meus 9 anos, quando ele morreu de vez. Quando fiz 15 comprei um Be-Bit da Candide, que seria um tamagotchi 2.0, para acalmar minha nostalgia. Tenho ele até hoje.
Nos dias atuais, a nova geração (ou as crianças, se preferir) é dividida naquelas crianças que tentam salvar a própria geração, indo na rua, brincando, rolando na grama, etc. E naquelas que se renderam aos encantos da tecnologia, e preferem ficar jogando video-game ou navegando na internet. Por conta dessa mesma tecnologia, os jovens acabaram se dividindo também, em algumas categorias.
O Produtivo
O jovem produtivo é aquele que visa o futuro, e só. Foca na sua futura carreira e nos estudos e utiliza da tecnologia para fazê-lo. É todo organizado,e não deixa ninguém mexer no seu notebook, smartphone, tablet ou qualquer outro gadget que lhe pertença.
O Full-Time Online
É aquele que põe na internet tudo o que faz (eu!). Quando ele acorda a primeira coisa que faz é tuitar. No meio do dia tira fotos com seu smartphone, pega um programa editor, aplica um efeito vintage e põe na rede (seja no TwiPic, no Flickr, ou qualquer outro). Ele não deixa nada que aconteça fora do conhecimento do resto do mundo.
O Sem Vida Social
É uma mistura dos dois acima citados. É aquele que não deixa nada que aconteça fora da web e que tem como foco a total produtividade. A única diferença é que ele não sai. E quando o faz, se sente deslocado. Num futuro, deve ganhar rios de dinheiros, mas não creio que compense o fato de perder a sua juventude.
Obvio, claro e evidente, que assim como na nova geração, a atual também tem aqueles que tentam salvá-la. Chamo eles de “Youth Savers”. São aquele que vivem, sabe?! Saem, vão a festas, curtem a vida, no máximo que podem, e ainda aproveitam a tecnologia que as outras três breves categorias acima citadas veneram. Eles são o que toda a juventude deveria ser. Divertida.
Claro que você pode dizer que não é bonito ou rico o suficiente pra fazer viagens todas as férias que aparecem, ou ir nas baladas e sair “pegando geral”, mas nem todo Youth Saver é assim. Você pode ser um, com os recursos que tem. Saia um pouco, brinque. Faça a vida valer a pena. A tecnologia está ai para ser usada? Sim. Mas tudo em exagero é demais. Por mais legal que pareça.








