Todos sabem como funciona o sistema de atualização dos produtos da Apple. Aparece uma mensagem bem bonita na sua tela avisando sobre a atualização, que na verdade quer dizer isso: “Ei você! O produto que você pagou caro para ter, tem uma versão nova que torna a velha muito obsoleta. Quer continuar usando? Aperte ‘sim’!”
Sim, fui meio “cruel” ao descrever o sistema de atualizações da Apple (seja para Macs ou produtos que rodem iOS), porém vocês vão achar isso um elogio ao lerem a descrição das atualizações Android, que possuem duas versões.
Primeira: “Ei você! Saiu uma atualização para o seu smartphone, então aproveite logo porque essa é a última, e sim, vem com todas aquelas alterações que você não gosta, mas você sabia disso quando comprou, então aperte sim!”
Segunda: “Olha, seu smartphone não terá mais atualizações. Sim, sabemos que você pagou caro por ele, mas não é problema nosso. Se quiser um produto atualizado, compre outro.”
Obviamente que isso não é dito – nem será – dessa forma, mas sim educada e singelamente, como: “Seu hardware não aguenta essa versão” (quando, muitas vezes, ele aguenta) ou “A quantidade de usuários do seu smartphone é pequena, o que torna custoso atualizá-los, nos desculpe.”

Androids: Tem de todos os tipos
A fragmentação Android é realmente um grande problema, não só para os usuários finais que se preocupam com atualizações, mas também para os desenvolvedores. Afinal, criar um aplicativo para um software já obsoleto – mesmo num sistema aberto, diga-se de passagem – custa tempo e dinheiro, e muitas das vezes, não há retorno. Já não bastasse o problema das diferenças de tela, que os desenvolvedores de iOS encontraram apenas agora com o lançamento do iPad. No caso do usuário final, o problema é consequente do problema dos desenvolvedores. Se você possui um smartphone com um sistema obsoleto, não terá muitos aplicativos a sua disposição (nem mesmo os oficiais, pois muitas vezes, os próprios aplicativos da Google são para Android 2.x +).
Mas de quem é a culpa?
Não é da Google, isso eu tenho certeza. Ela não deixa de atualizar o sistema, pelo menos uma vez ao ano temos uma nova versão do mesmo. A grande culpada mesmo, são as empresas que visam o lucro e pouco se importam com o consumidor, pois elas simplesmente adotaram o dogma de atualizar a linha de smartphones Android com novos aparelhos. Afinal, quem compraria um Milestone sem atualização ao invés de um Milestone 2 com a não-tão-nova-assim versão Froyo (2.2) ?
Tá, eu sei que a fragmentação é um problema, e blá, blá, blá. Mas sabe o que mais dá ódio no Android? Sim, elas, as customizações!
Além de a Google permitir que as fabricantes não atualizem os smartphones, tornando isso completa responsabilidade da mesma, ela ainda permite – pelo fato do Android ser um sistema aberto – que as empresas realizem customizações, que prometem aprimorar a experiência do usuário. Algumas realmente cumprem essa promessa, como o TouchWiz da Samsung que é bem “leve” e simplifica realmente a experiência “complicada” (obviamente em relação ao iOS) do Android.
O problema são as customizações que além de atrasarem – e muito! – atrapalham a experiência como, por exemplo, o Motoblur da Motorola, que só faz de útil agregar os contatos das suas redes sociais com os contatos da sua agenda telefônica, porém não permite alterar nome de contatos e tudo mais. Além disso, a interface sempre é carregada, quando se aperta o botão “home”, atrasando muitas tarefas.
Acho que já está mais do que na hora da Google se impor. Obrigar as fabricantes a manter as atualizações até – no mínimo – o hardware do smartphone se tornar obsoleto. Porque senão, a única opção para nós, usuários do android, de ter uma atualização frequente, é comprar os Google Phones, que mesmo sendo muito bons, tiram aquele efeito de “Android é para todos”, pelo fato de serem exclusivamente feitos com a experiência “Pure Google“, e passam a ser apenas uma Apple de Código Livre.